Cooperativas mineiras se preparam para exportar
29/04/2026
Expandir mercados e marcar presença internacional deixou de ser apenas uma possibilidade e passou a fazer parte do planejamento estratégico das cooperativas mineiras. De olho nesse movimento, uma nova turma da Qualificação para Exportação, promovida pelo Sistema OCB, iniciou sua jornada de preparação para a atuação global no dia 14 de abril.
A seleção para o programa segue critérios técnicos definidos em regulamento, com convocação de cooperativas de várias partes do país por ordem de classificação. Nesta edição, o cooperativismo mineiro está representado pela Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), Cooperativa dos Granjeiros do Oeste de Minas (Cogran), Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam) e Cooperativa de Suinocultores (Suinco).
“Nossa expectativa é ampliar o número de cooperativas de Minas Gerais preparadas para atuar no comércio internacional, fortalecendo cadeias produtivas e gerando mais valor para os cooperados. Ao integrar capacitação, acompanhamento e foco em resultados, a Qualificação para Exportação contribui para posicionar nossos produtos de forma cada vez mais competitiva no cenário global”, destaca o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato.
A participação na qualificação marca o fortalecimento da agenda de inserção internacional do coop mineiro em novas frentes de negócio. Segundo Bruna Pereira Leonel, assessora da presidência da CCPR, a central já tem experiência na exportação de produtos lácteos, mas agora busca estruturar esse conhecimento para áreas em expansão, como nutrição animal e genética. “A consultoria e esse trabalho coletivo têm sido fundamentais, principalmente pela simplicidade, praticidade e objetividade que trazem para o processo de exportação”, avalia.
Um dos aprendizados da formação, segundo Bruna, tem sido a desmistificação do processo de internacionalização, que, para muitas cooperativas, pode parecer uma atividade distante de suas realidades. “O programa traz segurança, foco e direcionamento. Em um primeiro momento, imaginávamos que seria necessário fazer um movimento muito grande dentro da cooperativa. Mas a consultoria tem mostrado que é possível se capacitar de forma prática e explorar esse novo mercado a partir do conhecimento que já temos dentro de casa”, pondera.
Na prática, a CCPR já estruturou um núcleo estratégico para conduzir o tema das exportações e passou a mobilizar diferentes áreas conforme as etapas do processo. “Já temos produto definido, mercados sendo mapeados e equipes envolvidas de forma coordenada. Isso tem permitido avançar com mais agilidade e consistência”, complementa.
Na Suinco, a expectativa é superar desafios atuais para exportação, principalmente os relacionados a exigências sanitárias e regulatórias dos mercados externos e estruturação interna para atender à demanda exportadora. “O programa de qualificação tem sido essencial para superar esses obstáculos, oferecendo orientação técnica, acesso a informações atualizadas e suporte na interpretação das normas e procedimentos exigidos”, destaca a coordenadora de Controle de Qualidade da cooperativa, Francyelle Fernandes Rocha.
A partir da qualificação, a Suinco vai dar seguimento à revisão e padronização de processos internos, adequação documental e capacitação da equipe para exportação. “Também já avançamos na prospecção de novos mercados e parceiros comerciais. Paralelamente, está em desenvolvimento um plano estruturado de exportação, com definição de mercados prioritários e estratégias de entrada”, antecipou.
Do coop para o mundo
A Qualificação para Exportação nasce de uma trajetória bem-sucedida de formação para internacionalização de produtos cooperativistas. Entre 2022 e 2024, o PEIEX Coop, realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), capacitou 50 cooperativas brasileiras para o comércio exterior. A experiência acumulada nesse período permitiu ao Sistema OCB desenvolver uma metodologia própria, ajustada à realidade do cooperativismo e voltada à geração de valor, ganho de escala e acesso a novos mercados. Em 2025, a formação reuniu 37 cooperativas de 17 estados, evidenciando a diversidade e o potencial produtivo do setor em todo o país.
A estrutura do curso combina aprendizado coletivo com atendimentos individuais, em um equilíbrio entre troca de experiências e acompanhamento personalizado. Para obter a certificação, as cooperativas precisam participar de, no mínimo, oito horas de sessões coletivas e oito horas de sessões individuais, além de desenvolver entregas práticas ao longo de até cinco meses. O ciclo completo pode chegar a seis meses, com a possibilidade de mentoria extra junto à consultoria especializada, voltadas ao apoio na implementação das estratégias definidas.
Ao longo das sessões coletivas, realizadas entre abril e julho, são trabalhados temas essenciais para a inserção internacional, como oportunidades em mercados estrangeiros, cadeias comerciais, câmbio e financiamento, logística, requisitos aduaneiros, processos administrativos e negociação internacional. Já nos encontros individuais, cada cooperativa aprofunda suas próprias demandas, transformando o conteúdo em ações concretas e alinhadas à sua realidade.
O formato contribui para dar mais clareza às decisões e organizar os próximos passos rumo ao mercado externo, permitindo que o aprendizado seja aplicado de forma prática no dia a dia das cooperativas. Ao mesmo tempo, a iniciativa fortalece uma atuação mais estratégica e segura no processo de internacionalização, com apoio técnico e direcionamento qualificado.
Sistema Ocemg