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Inteligência Artificial não substitui a consulta médica

22/05/2026

Ela responde rápido, parece segura, escreve com empatia e está sempre a um clique de distância. A Inteligência Artificial (IA) já faz parte da rotina de milhões de pessoas quando o assunto é saúde. Diante de um sintoma inesperado, não é raro que o primeiro impulso seja recorrer ao celular, antes mesmo de agendar uma consulta. O problema surge quando a tecnologia deixa de ser apenas uma aliada e passa a ocupar o espaço do médico. Especialistas alertam que usar a inteligência artificial para tirar dúvidas pode ajudar, mas confiar nela para diagnóstico ou tratamento pode representar riscos reais à saúde.

Para entender melhor como a tecnologia pode contribuir e onde seus limites precisam ser respeitados, é fundamental ouvir quem está diariamente ao lado dos pacientes. Médicos explicam que a inteligência artificial deixou de ser ficção científica e já atua de forma concreta na medicina. Ela auxilia na análise de exames, organiza prontuários, identifica padrões em grandes volumes de dados e contribui para decisões clínicas mais rápidas e precisas.

Em áreas como radiologia, cardiologia e oncologia, seu uso já faz diferença na eficiência do cuidado. Ainda assim, há aspectos que a tecnologia não consegue substituir. O médico cardiologista e cooperado da Unimed Chapecó, Dr. Guilherme Luiz de Melo Bernardi, destaca que a IA não realiza exame físico, não avalia nuances clínicas nem compreende o contexto emocional e social de cada paciente.

“Em outras palavras, ela trabalha com dados gerais, enquanto a medicina exige um olhar individualizado. Para os especialistas, o caminho não é combater a tecnologia, mas orientar o paciente sobre como usá-la com segurança. A inteligência artificial faz parte do presente e tende a evoluir rapidamente, por isso, entender seus limites é tão importante quanto reconhecer seus benefícios”, ressalta.

PERIGO SILENCIOSO

Entre os principais riscos do uso indiscriminado da inteligência artificial na saúde está o fenômeno conhecido como ‘alucinação’. “A ferramenta pode criar informações falsas, mas apresentadas de forma extremamente convincente”, alerta o conselheiro de administração e coordenador do Comitê de Tecnologia e Inovação da Unimed Chapecó, Dr. Mario Goto (foto). Diferente de um profissional de saúde, a IA raramente admite quando não tem certeza, o que pode gerar interpretações equivocadas e decisões perigosas. Isso acontece porque as respostas costumam ser bem estruturadas, empáticas e seguras no tom, mesmo quando estão erradas, o que dificulta para o paciente perceber a falha.

Há ainda um perigo mais silencioso, chamado sicofância. Nesse caso, a inteligência artificial tende a concordar com o usuário, reforça autodiagnósticos ou valida crenças incorretas, em vez de oferecer uma análise crítica e segura. Por isso, a orientação dos especialistas é de que a tecnologia possa ser uma aliada importante, mas ela nunca deverá substituir a avaliação médica, o diálogo e o cuidado humano.

ORIENTAÇÕES INADEQUADAS

Seguir orientações de inteligência artificial sem avaliação médica pode levar à automedicação, à suspensão indevida de tratamentos ou ao atraso no diagnóstico de doenças graves. O motivo é de que a tecnologia não tem acesso ao histórico clínico completo, aos exames físicos, às comorbidades nem às particularidades de cada organismo. “Uma orientação genérica pode ignorar contraindicações importantes ou interações medicamentosas perigosas”, explica o Dr. Mario.

Na prática, isso pode agravar quadros silenciosos ou mascarar sintomas relevantes. Outros pontos de atenção são aplicativos e plataformas de saúde disponíveis livremente nas lojas virtuais. Muitos deles não passam por validação clínica rigorosa nem por regulação de órgãos sanitários, o que aumenta o risco de orientações inadequadas.

ALGORITMOS E FALSAS SOLUÇÕES

O problema não se limita aos chats de IA. A mesma tecnologia está por trás dos algoritmos das redes sociais, que priorizam conteúdos com maior engajamento, não necessariamente os mais confiáveis. Promessas rápidas, soluções milagrosas e dicas genéricas ganham espaço, enquanto a ciência exige tempo, contexto e individualização. “O algoritmo não prioriza a medicina baseada em evidências, mas aquilo que prende a atenção”, observa o Dr. Guilherme. O resultado são pacientes mais ansiosos, confusos e, muitas vezes, mal informados.

Os médicos concordam que a inteligência artificial pode e deve ser usada como ferramenta de apoio. Ela ajuda a organizar dúvidas, compreender termos técnicos e preparar o paciente para a consulta. O erro está em transformá-la no ponto final da decisão. “O paciente deve utilizar a inteligência artificial para transformar informações em perguntas bem fundamentadas e memorandos organizados, que podem ser extremamente úteis para enriquecer a consulta e facilitar a ‘curadoria’ do profissional médico. O objetivo não é definir um autodiagnóstico ou uma conduta por conta própria, mas sim colaborar com o médico para chegar a um diagnóstico mais confiável e a um tratamento mais eficaz”, reforça o Dr. Mario.

Com a tecnologia avançando rapidamente, o papel do médico também evolui. De detentor exclusivo do conhecimento, ele passa a ser o curador das informações, aquele que filtra o que é confiável, contextualiza dados e assume a responsabilidade ética pelas decisões. “A medicina é, antes de tudo, humana. Já a inteligência artificial processa dados, mas não segura a mão do paciente, não percebe angústias silenciosas e não assume a responsabilidade pelo cuidado”, conclui o Dr. Mario.

Assessoria de Imprensa

 

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