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Curiosidades do coop: mulheres que marcaram a história do cooperativismo

02/07/2026

No Brasil, quase 42% dos 25,8 milhões de cooperados são mulheres. Entre os 578 mil colaboradores empregados pelo modelo de negócio no país, 52% são do sexo feminino. Os dados são do Anuário do Cooperativismo Brasileiro. No Espírito Santo, as mulheres representam 34,5% dos cooperados pessoas físicas e 60,8% dos colaboradores, segundo revela a última edição do Anuário do Cooperativismo Capixaba.

Os dados evidenciam o protagonismo que o público feminino vem conquistando no movimento cooperativista. Essa realidade também é reflexo da coragem de muitas lideranças que foram pioneiras no modelo societário. Por isso, te convidamos para conhecer a trajetória de cinco mulheres que marcaram a história do cooperativismo no mundo. Leia a seguir!

Eliza Brierley

Em 1844, na Inglaterra, 28 tecelões fundaram a primeira cooperativa moderna de que se tem conhecimento, a Sociedade Equitativa dos Pioneiros de Rochdale. Entre eles, havia uma única mulher: Eliza Brierley. Ela integrou o grupo quando tinha apenas 18 anos, em um período marcado pela pós-Revolução Industrial e em uma sociedade em que as mulheres ainda não haviam conquistado o direito ao voto.

A tecelã é lembrada como a primeira mulher cooperativista do mundo e reconhecida por sua luta pela inclusão financeira, dignidade e justiça social. Em 1846, ela pagou sua taxa de adesão de uma libra esterlina para fazer parte dos Pioneiros de Rochdale, tornando-se membro de pleno direito da cooperativa de consumo.

Brierley encorajou outras mulheres a participarem de cooperativas e a contribuírem com o desenvolvimento do modelo de negócio. A atitude da jovem também foi pioneira ao considerarmos que as mulheres inglesas só começaram a votar a partir de 1918 – 74 anos depois da primeira cooperativa moderna ser fundada.

Alice Acland

A inglesa Alice Acland deu continuidade ao legado de Brierley. Casada com Sir Arthur Dyke Acland, político liberal e defensor da classe trabalhadora, Alice se viu instigada a lutar pelos direitos das mulheres trabalhadoras. No dia 6 de janeiro de 1883, ela foi nomeada editora da coluna “Womens Corner” do jornal Co-operative News.

Alice incentivou as leitoras a ultrapassarem o simples ato de consumir nas lojas cooperativas, propondo que se encontrassem para ler, discutir e agir, um convite que rapidamente engajou mulheres de diferentes regiões. Assim, em 1883, foi fundada a Liga das Mulheres para a Expansão da Cooperação, que depois foi chamada de Guilda Cooperativa das Mulheres. A primeira reunião contou com a participação de 50 mulheres, em Edimburgo.

Acland foi secretária-geral da guilda em 1883 e presidente do grupo de 1884 a 1886, mas renunciou aos cargos devido a problemas de saúde. Sua escrita provocativa e desejo de mobilizar as mulheres ajudaram a pavimentar um caminho para uma participação ainda mais igualitária no cooperativismo pelos anos seguintes.

Pauline Green

Nascida em Malta, em 1948, à época uma colônia do Império Britânico, Pauline Green foi a primeira mulher a presidir a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), cargo que ocupou entre 2009 e 2015. Isso só aconteceu 115 anos depois que a organização foi criada, após vencer uma eleição realizada em Genebra, na Suíça.

Contudo, sua jornada no cooperativismo e na política começou bem antes. De 1989 a 1999, ela fez parte do Parlamento Europeu, atuando em defesa dos partidos Trabalhista e Cooperativista. Entre 1994 e 1999, foi líder do Partido dos Socialistas Europeus (PES). Enquanto deputada europeia, Green também foi presidente do Congresso Cooperativo, em 1997.

Pauline encerrou sua carreira na política para se dedicar exclusivamente ao cooperativismo. Dos anos 2000 a 2009, assumiu o cargo de diretora-executiva da Co-operatives UK, organização que no Reino Unido desempenha um papel semelhante ao do Sistema OCB no Brasil. Paralelamente, entre 2002 e 2009, foi presidente da Aliança Cooperativa Internacional da Europa (ACI Europa), órgão que representa as cooperativas europeias.

Graciela Fernández

Nascida em Montevidéu, no Uruguai, Graciela Fernández Quintas foi a primeira mulher a presidir a Aliança Cooperativa Internacional para as Américas (ACI Américas). Ela assumiu o cargo em 2018 e, em 2022, foi reeleita, mas decidiu sair da presidência da organização em 2024, por motivos pessoais.

Ela é advogada, doutora em Direito e Ciências Sociais e acumula mais de 20 anos de experiência em organizações cooperativas e associativas. Em 2018, foi eleita a primeira mulher presidente do Conselho Executivo das Cooperativas das Américas. Entre 2014 e 2020, presidiu a Confederação Urugaia de Entidades Cooperativas (Cudecoop), mas já a integrava desde 2011.

Ela ainda acumula uma longa trajetória no Centro Cooperativista Uruguaio (CCU), tendo feito parte do centro desde 1996. Trata-se de uma organização não governamental, onde atuou como chefe do Departamento Jurídico e em outros cargos de gestão. Em 2010, assumiu a presidência do CCU, permanecendo no cargo até 2020.

Tania Zanella

Natural de Santa Catarina, Tania Zanella é a primeira mulher a ocupar a presidência executiva do Sistema OCB, assumindo o cargo em dezembro de 2025. Ela também foi a primeira mulher a assumir a superintendência da organização nacional, função que exerceu entre 2021 e 2025. Antes disso, foi a primeira pessoa a ocupar a Gerência-Geral da instituição (2012-2021), cargo que ajudou a criar, e a primeira mulher à frente da Gerência de Relações Institucionais da entidade (2009-2012).

Seu contato com o cooperativismo ocorreu ainda na infância, pois seus pais eram cooperados. Depois de formada, ela teve uma nova oportunidade de se aproximar do modelo de negócio, enquanto assessora jurídica do então deputado federal Odacir Zonta, que presidia a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop).

Além de ser uma referência no cooperativismo, defendendo as pautas do modelo de negócio, Zanella se destaca pela dedicação ao segmento agropecuário. Em fevereiro de 2025, tomou posse como presidente do Instituto Pensar Agro (IPA), onde atua em defesa dos interesses de instituições do agronegócio brasileiro. Antes disso, assumia a função de vice-presidente do instituto.

Por causa do seu pioneirismo no cooperativismo e setor agro, Tania Zanella foi reconhecida como umas das Mulheres mais poderosas do Brasil pela Revista Forbes 2026, título que também conquistou em 2021.






Sistema OCB/ES

 

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